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terça-feira, 21 de agosto de 2018

Prevenção da Queda do Idoso - Parte II


Declínio da FORÇA, do EQUILÍBRIO e 

das FUNÇÕES EMOCIONAIS E COGNITIVAS no idoso

Elda Jara Doutel
Psicomotricista

Resultado de imagem para declínio do idoso

Em Portugal, segundo o sistema de recolha de dados Acidentes Domésticos e de Lazer Informação Adequada (ADELIA) tutelado pelo Observatório Nacional de Saúde, o principal mecanismo da lesão nos acidentes domésticos e de lazer foi a queda, apresentando uma frequência de 76% entre os 65-74 anos e de 90% no grupo etário com mais de 75 anos. (in https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/37394/1/)

...Facilmente se conclui qual a importância do desenvolvimento de um programa de  PREVENÇÃO DE QUEDAS NO IDOSO especialmente se tivermos em conta que tem como "consequência" a melhoria da qualidade de vida e os aumentos dos níveis de independência dos idosos (estejam ou não institucionalizados).
Na publicação anterior Prevenção da Queda do Idoso - Parte I falei sobre os factores de risco (intrínsecos e extrínsecos), cuja identificação deve ser o passo 1 de qualquer estratégia de prevenção.

Nesta publicação vou abordar os factores que estão directamente relacionados ou que podem ser directamente influenciados pela prática regular de exercício físico associado a actividades de Gerontopsicomotricidade, nomeadamente: problemas ao nível da marcha, problemas ao nível do equilíbrio, deterioração da mobilidade, depressão e deterioração da função cognitiva


Fonte: file:///C:/Users/Utilizador/Downloads/O_exercicio_fisico_e_a_prevencao_de_quedas_nos_idosos%20(1).pdf 

O factor fisiológico determinante da perda de autonomia e de maior incidência de  quedas no idoso é, sem dúvida, a perda de massa muscular e a consequente perda de força. Quando este processo, que é acelerado pelo desuso e sedentarismo, é acompanhado da perda de massa óssea (osteoporose) o risco de quedas e fracturas é ainda maior.


Deterioração do Equilíbrio

“A equilibração é uma função determinante na construção do movimento voluntário, condição indispensável de ajustamento postural e gravitacional, sem o qual nenhum movimento intencional pode ser atingido.” (Fonseca, 2007 p.158). A equilibração está na base da aquisição da postura bípede, exclusivamente humana, sendo que a sua organização neurológica envolve fundamentalmente o tronco cerebral ou tronco encefálico, o cerebelo e os gânglios de base. 

O Equilíbrio reúne um conjunto de aptidões estáticas (sem movimento) e dinâmicas (com movimento), abrangendo o controlo postural e o desenvolvimento das aquisições de locomoção. O equilíbrio estático caracteriza-se pelo tipo de equilíbrio conseguido em determinada posição, ou pela capacidade de manter certa postura sobre uma base. O equilíbrio dinâmico é aquele conseguido com o corpo em movimento, determinando sucessivas alterações da base de sustentação.
Resultado de imagem para perda de equilíbrio do idoso
O desequilíbrio é considerado um dos principais factores limitadores da vida do idoso sendo que, na maioria dos casos não ocorre devido a uma causa específica, mas devido a um comprometimento do sistema como um todo. 
As consequências mais perigosas destes desequilíbrios ocorrem ao nível das quedas, nomeadamente fracturas que podem levar ao internamento e/ou inactividade com decorrente diminuição de autonomia na realização de actividades de vida diária, aumento do sentimento de incapacidade e de medo e consequente imobilidade corporal. 

Deterioração da Marcha e da Mobilidade

Resultado de imagem para marcha do idosoAssociado ao risco de aumento de queda e aumento do desequilíbrio corporal, encontram-se as alterações da marcha, que podem ser provocadas por alterações da propriocepção, visão, força muscular, coordenação, e ainda, alterações na sensibilidade e atenção (Borges et al., 2010). 

A falta de força muscular é um dos motivos que conduz ao isolamento social e, consequentemente, a um aumento da fragilidade social do individuo idoso, sendo que melhorias na condição física podem promover a sua participação em actividades e eventos na sociedade, promovendo a sua interacção e integração social
Manifestações
Existem diversas manifestações de alterações anormais da marcha:

  • Perda de simetria do movimento e do tempo entre os lados esquerdo e direito geralmente indica distúrbio. Quando saudável, o corpo se movimenta simetricamente; comprimento do passo, cadência, movimento do tronco e tornozelo, joelho, anca e o movimento da pelve são iguais nos lados direito e esquerdo. 
  • Pode ocorrer dificuldade em iniciar ou manter a marcha. Quando iniciam o andar, os pés podem parecer colados no chão, tipicamente por não ajustarem o peso de um pé para permitir que o outro avance. Congelamento, interrupção ou quase imobilidade geralmente sugere um andar cauteloso, medo de cair ou um distúrbio frontal da marcha. O ato de arrastar os pés não é normal (é um fator de risco de tropeçar).
  • A retropulsão é caracterizada pelo andar para trás quando se inicia a marcha ou a ficar para trás durante a caminhada.
  • O pé caído causa arrastamento do dedo do pé ou interrupção da marcha (i. e., elevação exagerada da perna para evitar pegar o dedo do pé). Pouco movimento do pé (p. ex., devido à redução da flexão do joelho) pode assemelhar-se ao pé caído.
  • O comprimento curto da passada é inespecífico e pode representar medo de cair ou problema neurológico ou musculoesquelético. O lado com o comprimento curto da passada normalmente é o lado saudável e a passada curta geralmente é devida a um problema na fase de apoio da perna (problema) oposta. 
  • A marcha baseada na amplitude (aumento da amplitude da passada) é considerada ampla baseada no fato de o exterior do pé do paciente não permanecer dentro da amplitude do piso. Com a diminuição da velocidade da marcha, a amplitude da passada aumenta ligeiramente. A amplitude variável da passada (oscilações de um lado ou do outro) sugere pouco controle motor.
  • A circundução (mover o pé em arco em vez de em uma linha reta quando se realiza um passo à frente) ocorre em pacientes com fraqueza muscular pélvica ou dificuldade de flexionar o joelho.
  • A inclinação para frente pode ocorrer com cifose e com a doença de Parkinson ou distúrbios com características associados à demência.
  • Festinação é a tendência involuntária a dar passadas curtas que aceleram a marcha (geralmente com inclinação para a frente) em podem entrar em uma corrida para evitar cair para a frente. A festinação pode ocorrer com a doença de Parkinson.
  • A inclinação do tronco para o lado que é consistente e previsível para o lado da perna de apoio pode ser uma estratégica para reduzir a dor nas articulações em decorrência de artrite de quadril ou, menos comumente, do joelho.
  • A instabilidade irregular e imprevisível do tronco 
  • Os desvios do caminho são fortes indicadores de déficits de controle motor.
  • Os distúrbios de oscilação do braço podem ser reduzidos ou estar ausentes em doença de Parkinson e demências vasculares.

Deterioração das Funções Cognitiva e Emocional

A senescência corresponde à velhice propriamente dita, e é um processo em que ocorre um declínio físico e mental, lento e gradual. Enquanto a senilidade é caracterizada por um declínio físico mais acelerado e acompanhado de desorganização mental com alteração do funcionamento cognitivo e perda de memória.

Declínio Emocional
Para além das mudanças biológicas o envelhecimento acarreta mudanças nos papéis e posições sociais, e ainda, na necessidade de enfrentar a perda de pessoas e relações próximas (OMS, 2015). 

Verifica-se uma alteração de estatuto, um envelhecimento social, baseado numa crise de entidade, resultante da mudança de papel social (no trabalho, na família e na sociedade) que origina perda da autoestima; da reforma, que pode conduzir a um isolamento e depressão; e ainda, devido a diversas perdas, nomeadamente, de autonomia, independência, poder de decisão e à perda de amigos e familiares (ver Solidão e Isolamento Social do Idoso ).



Declínio Cognitivo
À medida que envelhecemos, ocorre ainda, um declínio cerebral e das habilidades cognitivas, lento e progressivo cuja variação/intensidade poderá depender de factores educacionais, condições de saúde, da própria personalidade do individuo, entre outros, e que pode ser demonstrado comparando-se o desempenho de jovens e idosos sem comprometimento em testes neuropsicológicos.


Pode ser difícil distinguir o envelhecimento normal dos quadros de demência iniciais mas há um espectro contínuo entre o envelhecimento normal e a demência. Entre esses extremos encontram-se o “comprometimento da memória associado ao envelhecimento” e o “declínio cognitivo leve”.

O quadro de comprometimento da memória associado ao envelhecimento baseia-se na queixa de distúrbios da memória. O declínio cognitivo leve (DCL) ocorre quando há comprometimento somente da memória, com preservação das demais funções cognitivas; o DCL apresenta importantes implicações clínicas, pois representa um risco aumentado de morte e demência: idosos com DCL evoluem para demência ou doença de Alzheimer (DA) a uma taxa de 6 a 25% ao ano.
(Fonte: http://www.neurocenterbh.xpg.com.br/artigos/art_aval_demencia.html)



A lentidão na percepção, memória e raciocínio poderão ser consequência normal deste declínio, revelando-se a actividade física e mental úteis na conservação das capacidades cognitivas (Moraes et al., 2010; AversiFerreira et al., 2008). 



Tendo em conta esta perda de competências e conhecendo os benefícios da prática de actividade física, temos que a considerar como um forte aliado para ajudar a diminuir os efeitos da idade e a ela associar a psicomotricidade como um complemento que trabalha além do motor, pois visa ainda ampliar o ser social, tonificar o ser biológico e proporcionar um ser mais desenvolto, colocando o idoso com o corpo em movimento, o cérebro em produção e a alma com alegria através de propostas variadas e diversificadas envolvendo desde o relaxamento, o equilíbrio, tonicidade, coordenação, observação e memória...

E é esta a base do programa Xtreme Sénior que desenvolvo em parceria com o ginásio Be-Fit Setúbal.



Não há duas sem três e no próximo post, iremos falar sobre os benefícios da Gerontopsicomotricidade e deixarei alguns exemplos de planos de exercício que podem ser realizados em casa, na rua e com amigos...até lá sejam felizes e vivam a IDADE que vos vai na ALMA (e esqueçam a do calendário de aniversário 😏).








sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Prevenção da Queda do Idoso - Parte I

Cair de Maduro...só a fruta!

Elda Jara Doutel
Psicomotricista
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À medida que a idade avança existe uma alteração na forma como o corpo responde à informação do meio, há diminuição da visão, da audição, da força muscular, do tempo de reacção e do equilíbrio, estas alterações reflectem-se na capacidade para ajustar os movimentos corporais às situações do quotidiano aumentando assim o risco de queda.  

As quedas no idoso podem dar origem a ferimentos mais ou menos graves como fraturas ou traumatismos cranianos, condicionando incapacidade temporária ou permanente, e podem resultar na necessidade de hospitalização, institucionalização, ou até mesmo em morte. Os acidentes representam a 5ª causa de morte acima dos 65 anos, com mais de 800 mortes em Portugal em 2007.  

A maioria dos acidentes com pessoas idosas ocorre dentro de casa e durante as atividades domésticas, como cozinhar, comer ou cuidar da casa e seriam evitáveis se antecipados preventivamente os riscos para a sua ocorrência.  

São vários os FACTORES DE RISCO de que destacamos: 


Fonte: biblioteca.sns.gov.pt/artigo/guia-pratico-para-prevenir-quedas-de-idosos-em-casa/ 

A queda pode ser prevenida se tivermos o cuidado de minimizar situações intrínsecas e extrínsecas ao idoso, garantindo deste modo que todo o ambiente que rodeia o idoso seja tão seguro quanto possível. 

Como PREVENIR a queda do idoso?


Faça uma avaliações anuais à sua visão
Resultado de imagem para visãoPorque com o envelhecimento podem ocorrer problemas de visão ou doenças "dos olhos" como glaucoma ou cataratas, é essencial que faça uma visita ao oftalmologista pelo menos uma vez por ano; caso use óculos esta recomendação é ainda mais importante! Todos estes problemas limitam a sua visão, aumentando a probabilidade de queda. 

Reveja a sua medicação com o seu médico assistente
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À medida que envelhecemos, a forma como os medicamentos atuam no nosso corpo pode alterar-se. Alguns medicamentos ou combinações de medicamentos podem fazer com que se sinta sonolento ou tonto aumentando o risco de cair. 


Faça exercícios para melhorar o equilíbrio e força
Resultado de imagem para exercício equilíbrio idososA prática de exercício, além de promover o fortalecimento ou aquisição de força muscular, a melhoria do equilíbrio (e do tempo de reacção) e da coordenação, a melhoria da condição cardiovascular e a melhoria da marcha (forma como caminha) contribuindo igualmente para a diminuição da perda de massa óssea e a melhoria da flexibilidade, também o ajuda a sentir-se melhor e mais confiante.
Encontra no Be-Fit Setúbal um programa especialmente definido para pessoas acima dos 65 anos onde são trabalhadas estas e outras questões; no próximo post abordaremos especificamente a questão do papel do exercício na prevenção das quedas.

E a casa, como a pode tornar mais segura?

Mais de metade das quedas acontece em casa. Pode tornar a sua casa mais segura com algumas medidas simples:  
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Cuidados Fora de Casa

Fora de casa deve utilizar sempre calçado adequado ao seu pé.
Resultado de imagem para caminhada idososA ajuda de auxiliares de marcha, como andarilhos ou bengalas, pode ser fundamental para evitar uma queda, porque melhoram o seu equilíbrio. Deve também evitar percursos acidentados ou com piso irregular.
Quando utilizar transportes públicos, como os autocarros, deve ter alguns cuidados: ao entrar e sair dos mesmos certifique-se de que o veículo se encontra completamente parado e junto do passeio; durante a viagem preferira um lugar sentado, sendo que existem lugares de cedência obrigatória para pessoas idosas; se tiver de viajar de pé, segure-se bem nos corrimões que existem para esse efeito. 


Na próxima publicação falaremos sobre O Exercício como Agente de Prevenção da Queda do Idoso


Cuidado com o Frio!

  Cuidado com o Frio! Elda Jara Doutel Psicomotricista Conselhos da Direcção Geral de Saúde (DGS) Perante a previsão...